MANIFESTO DA MADRASTA



Há muito tempo quero escrever sobre essa experiência e essa foto me inspirou (calma, na taça dos meninos tem suco de uva, rs). As meninas dormiram e nós 4 jantamos juntos, brindamos e lembramos de como era quando éramos 4. Amo demais minhas filhas e sempre sonhei com a experiência da gravidez e do parto (sempre desejei um parto natural), mas o fato é: sou mãe antes delas. Meus enteados têm a mãe deles, nunca quis substituí-la, mas como sempre dizemos em casa: o amor não precisa ser dividido, e sim multiplicado. E assim seguimos desde quando eram bem pequeninos, com muito amor, muito cuidado e uma relação construída de família e cumplicidade, fortalecida ainda mais com a chegada das irmãs.


Eu não participei da introdução alimentar dos meninos, mas desde os 2 anos do Caetano e 1 ano do Theo, eu faço comidinhas saudáveis para esses dois (que hoje já têm 13 e 12 anos!!!!). Amo lembrar o que eles sempre me falavam: “Iris, você precisa abrir um restaurante”, eles já estavam me dando uma pista inconsciente sobre a criação do Meu Primeiro Alecrim. Fico feliz porque sei que pude contribuir para a boa educação alimentar que eles tiveram.


Já sentia a maternidade antes de engravidar mas na maioria das vezes, não se considera a maternagem de uma madrasta. Hoje venho aqui escrever esse manifesto, pra dizer que mãe é um estado de amor, e sim, madrasta merece parabéns no dia das mães.


Quando engravidei pela primeira vez, fui contar para os meninos que chegaria um irmão ou uma irmã: “Vai sair da minha barriga um bebê que terá uma ligação eterna com vocês e comigo, pronto, nós 3 estaremos ligados pra sempre, independente da minha relação com o pai de vocês, e isso é muito maravilhoso.”


E assim foi construída a chegada da Diadorim, com o legado de ser o símbolo da união. Ela entendeu isso muito bem e encantou os irmãos logo de cara, foi amor à primeira vista. Cora e Pilar chegaram mais tarde e se integraram facilmente a esse bolo de amor.


Amo ser madrasta, amo ser mãe, amo viver essas duas experiências e entender o quanto essa diversidade é maravilhosa para as crianças, que amor não é um título, amor é experiência vivida e conquistada no dia a dia. Cozinho para minha família pensando que disseminar hábitos saudáveis é um ato de amor.


Meus enteados amam a mãe deles e sabem que podem contar comigo, isso não é um problema, muito menos uma competição, amor não precisa ganhar, só precisa ser. Caetano e Theo são os primeiros netos dos meus pais, isso é dito e homologado, para que todos saibam e respeitem. Amor não é sangue, amor é construção, amor é tempo, amor é uma receita de afeto, amor é.


Em tempos tão sombrios, de desrespeito e preconceito, vamos enaltecer o amor e a diversidade. Um viva ao amor e aos múltiplos tipos de famílias! Viva aos bons hábitos e a alegria de comer bem! Um viva as madrastas!

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